sexta-feira, 18 de maio de 2007

A Igreja: agulha imantada pelo Norte da Revelação


“A Igreja não é a bússola e não é o Norte. Ela é apenas a agulha imantada pelo Norte da Revelação, que de Deus recebeu e que não pode deslocar ou recondicionar”.


Freqüentemente se ouve que a Igreja perde fiéis por não se adequar às tendências da modernidade: é contra o divórcio, contra o aborto, contra o casamento de homossexuais, condiciona o exercício do sacerdócio ao celibato, não ordena mulheres, se opõe a diversas práticas de controle da natalidade e por aí afora.

Fico imaginando o pleno atendimento dessas reivindicações: a Igreja reinstituindo a carta de divórcio (explicitamente abolida por Jesus, num visível erro de apreciação), aconselhando as mães a abortar e os médicos a aprimorarem as técnicas de aborto, as igrejas celebrando casamentos entre homens, entre mulheres, bem como outras uniões extravagantes que se sabe existir por aí, sacerdotes e sacerdotisas distribuindo “camisinhas” nas missas dos jovens, etc...

Chocante? Ridículo? Por quê? Não é exatamente o que parecem desejar que a Igreja faça para adequar-se aos ventos da opinião pública e da permissiva cultura contemporânea? Quantos cristãos parecem crer que, de fato, a Igreja “precisa atualizar-se” nestas coisas?

Existe nos aeroportos um instrumento colocado próximo à pista, formado por uma haste metálica na qual é fixado um tubo de pano. É chamado “biruta” e serve para sinalizar o sentido e a direção dos ventos de superfície. Em todas as aeronaves existe também um outro aparelho, chamado bússola, que sinaliza o norte magnético e é um dos mais antigos e utilizados instrumentos para orientação de navegadores em terra, mar e ar.

Felizmente a Igreja não comete a insensatez de confundir a “biruta” com a bússola porque se assim procedesse acabaria tão extraviada quanto ficaria o piloto que olhando para o tubo de pano junto à pista do aeroporto, confundisse aquilo com uma bússola e seguisse o vento, pensando tomar o rumo do norte.

Não! A Igreja e o Cristianismo cumprem através da história esse papel de bússola, indicando firmemente o norte apesar dos ventos da superfície, aos quais conhece, mas aos quais não segue. Ao agir assim, procede como Cristo, que denunciou os padrões de conduta de seus contemporâneos.

E foi à cruz por causa disso! Não tivesse agido assim teria conseguido mais seguidores em seu tempo, mas ninguém o seguiria hoje. E nenhum seguidor de Cristo pode deixar de ser sinal de contradição. A Igreja não é a bússola e não é o Norte. Ela é apenas a agulha imantada pelo Norte da Revelação, que de Deus recebeu e que não pode deslocar ou recondicionar.

Percival Puggina

2 comentários:

borboleta disse...

De facto o tempo está tão mudado que isto tudo parece uma visão. Hoje ninguém segue estes padrões e jamais seguiriam Jesus porque todos olham mais para o seu umbigo e não enxergam o que se passa à sua volta

Fontez disse...

A Igreja é apenas um meio e não um fim ... de nos aproximarmos de Deus e falar com Ele.
abraço