sábado, 28 de abril de 2007

Sedentos de Amor

Recentemente, conheci um pouco da história de vida de Henri Nouwen(http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Nouwen) através de um livro de Philip Yancey - "Alma Sobrevivente". Senti-me deveras impressionado com a coragem, sabedoria, abnegação, humildade e amor demonstrados por este padre, escritor, teólogo...
Sinto muito prazer em partilhar alguns pensamentos, reflexões e observações que Henri Nouwen fez a respeito das suas experiências de vida cristã, assim como a influência que este homem exerceu sobre Philip Yancey( e milhares de pessoas) e que ele descreve no livro que mencionei anteriormente.

"Quão pouco nós realmente sabemos sobre o poder do toque físi­co", escreveu Nouwen durante sua permanência no Peru. Ele visitara recentemente um orfanato em que as crianças, carentes de afeição, lutavam pelo privilégio de tocar nele. "Aqueles meninos e meninas queriam apenas uma coisa: serem tocados, abraçados, afagados e acari­ciados. É bem possível que a maioria dos adultos tenha as mesmas necessidades, mas tenham perdido a inocência e a consciência desinte­ressada de expressá-la. Há momentos em que vejo a humanidade como um mar de pessoas famintas por afeição, ternura, carinho, amor, aceita­ção, perdão e bondade. Parece que todo o mundo está dizendo: «Por favor, ame-me»."

Durante alguns anos, Henri nouwen trabalhou numa clínica de doentes com sida."Na clínica, Nouwen ouvia histórias pessoais. "Sou um padre, este é meu trabalho. Ouço as histórias das pessoas. Elas se confessam a mim." O escritor Philip Yancey relata:"Ele me contou de jovens banidos de suas próprias famílias, forçados a se prostituir nas ruas. Alguns deles tinham centenas de parceiros com quem haviam se encontrado em casas de banho, cujos nomes nunca soube­ram, sendo que, de um desses parceiros, eles haviam contraído o vírus que agora os estava matando.Nouwen olhou para mim com seus olhos penetrantes, brilhando de compaixão e dor. «Philip, aqueles rapazes estavam morrendo - literal­mente - por causa da sua sede de amor.» Ele prosseguiu, contando-me histórias individuais que ouvira ali. Todos os relatos tinham em comum a busca por um lugar seguro, por um relacionamento estável, por um lar, por aceitação, por amor incondicional, por perdão - a própria busca de Nouwen, percebo hoje.

"Através dos olhos de Nouwen, passei a olhar essas pessoas com outros olhos. Não como imorais e ímpias, mas como sedentas, como pessoas que morriam por amor. Como a mulher samaritana no poço, elas haviam bebido uma água que não as satisfazia. Precisavam da Água Viva. Depois de conversar com Nouwen, todas as vezes que encontrava alguém cujo comportamento me ofendia ou revoltava, eu orava, dizendo: "Deus, ajude-me a ver esta pessoa não como alguém repulsivo, mas como uma pessoa sedenta.Quanto mais orava assim, mais me via do mesmo lado da pessoa que me causava repulsa. Eu também não tinha nada a oferecer a Deus, senão minha sede. Como o irmão mais velho da parábola, nunca pode­rei experimentar a graça de Deus limpando minha vida ou participar da festa da família, se ficar do lado de fora da sala do banquete, de braços cruzados, numa postura de superioridade moral. A graça de Deus vem como um presente gratuito, mas somente aquele que estiver com os bra­ços abertos poderá recebê-la.
Pobreza, dor, luta, angústia, agonia e até mesmo escuridão interior podem continuar a fazer parte de nossa experiência. Tudo isso pode até mesmo ser a maneira de Deus nos purificar. Mas a vida deixa de ser maçante, rancorosa, depressiva ou solitária porque passamos a entender que tudo que acontece faz parte do caminho que trilhamos rumo à casa do Pai." - Philip Yancey, Alma Sobrevivente

1 comentário:

elsa nyny disse...

Paulo!
Sê bem vindo!!!
Adorei o teu post! Devemso reflectir nele e tentar agir assim!
Beijos!
:)