domingo, 26 de agosto de 2007

Maria,"qual celeste plano inclinado"


Maria não é facilmente entendida pelos homens, apesar de ser muito amada.
De fato,é mais fácil encontrar em um coração afastado de Deus a devoção a ela, do que a devoção a Jesus.

É amada universalmente. E o motivo é este: Maria é Mãe.
As mães, em geral, não são "compreendidas", especialmente pelos filhos pequenos; elas são amadas, e não é raro aliás é bastante freqüente que até um homem de oitenta anos morra pronunciando como última palavra: «Mamãe».
A mãe é mais objeto de intuição do coração do que de especulação intelectual, é mais poesia do que filosofia, pois é real e profunda demais, achegada ao coração humano. Assim é com Maria, a Mãe das mães, que a soma de todos os afetos, bondades, misericórdias das mães do mundo não consegue igualar.

De certo modo, Jesus está mais diante de nós. Suas palavras divinas e fulgurantes são abundância dos frutos.

Maria é pacífica como a natureza, pura, serena, tersa, suave, bela; aquela natureza longe do mundo, na montanha, na campina, no mar, no céu azul ou estrelado. Maria é também forte, vigorosa, ordenada, contínua, inflexível, rica de esperança, porque na natureza é a vida que refloresce perenamente benéfica, ornada pela beleza vaporosa das flores, generosa na rica abundância dos frutos.
Maria é simples demais, próxima demais de nós para ser "contemplada".

Ela é "enaltecida" por corações puros e enamorados que assim exprimem o que neles há de melhor. Traz o divino à terra, suavemente, qual celeste plano inclinado, da vertiginosa altura dos Céus, até à infinita pequenez das criaturas. É a Mãe de todos e de cada um, a única que sabe balbuciar e sorrir para o seu filho de um modo único e tal que, embora pequeno, cada um já sabe apreciar aquela carícia e responder com o seu amor àquele amor.

Não compreendemos Maria porque está demasiadamente próxima a nós. Ela, destinada pelo Eterno a levar aos homens as graças, jóias divinas do Filho, está ali do nosso lado e aguarda, sempre com esperança, que percebamos o seu olhar e aceitemos a sua dádiva.
E se alguém, por sorte sua, a compreende, ela o arrebata para o seu Reino de paz, onde Jesus é Rei e o Espírito Santo é o hálito daquele Céu. Lá, purificados de nossas misérias e iluminados em nossas trevas, haveremos de contemplá la e dela fruir, paraiso adjunto, paraíso à parte.
Aqui, mereçamos que ela nos conduza pelo "seu caminho", para não permanecermos mesquinhos no espírito, com um amor que só é súplica, imploração, pedido, interesse, mas, conhecendo a um pouco, possamos glorificá la.

(Chiara Lubich em "Desenhos de luz", Cidade Nova, 1996, p. 84)

1 comentário:

suruka disse...

Excelente reflexão

Ajudaram a complementar
o que pensava acerca da Mãe de todos nós.